Gabriella

do jeito que eu a vejo

com amor, Lucas  ♥

continuar

Quando conheci a Gabriella, minha primeira reação foi achar que não teria a menor chance. Achei ela linda demais, inteligente demais, e fiquei travado na conversa. Na hora que a gente marcou o primeiro encontro, eu pensei: ou ela é maluca, ou tá cega. Depois de um tempo eu descobri que é um pouco das duas coisas — e eu amo isso nela.

Cada dia que passa ela se mostra mais especial. A gente passou muita coisa junta em muito pouco tempo, e é impossível não olhar pra trás e pensar: como eu tive tanta sorte?

A gente nunca ficou parado. Desde o começo eu era o maluco com planos mirabolantes, e ela foi embarcando — às vezes com medo, sempre com sorriso no final. No terceiro fim de semana juntos eu falei "vamos na praia" e a gente terminou em Arraial do Cabo. De Arraial, claro, fomos pra Búzios. Sou completamente insano e ela sabe disso.

Em Búzios ficamos presos no estacionamento com a corrente travada. Vinte minutos tentando sair, rindo de tudo. Outro dia, indo embora de Icaraí, meu carro tinha problema pra abrir — enquanto eu ficava ali lutando com a chave, ela estava do lado de fora em pânico absoluto porque tinha um morador de rua andando torto na direção do carro. Ela associou ao filme de terror que a gente tinha assistido na véspera, entrou voando no banco, fechou a porta. A gente começou a rir em Icaraí e foi parar de rir no meio da Ponte Rio-Niterói. Ali nasceu o "Galho Quebrado" — é como a gente chama até hoje qualquer lugar ou situação estranha. Uma referência ao filme que só nós dois entendemos.

Ouro Preto foi decidido na madrugada, 400km de estrada, saímos meia-noite. O pneu arrebentou no caminho. Chegamos às 7h30 da manhã exaustos, e mesmo assim fomos andar, tomar café, explorar a cidade. Ficamos numa hospedagem com gente no mínimo suspeita, ouvimos barulhos inexplicáveis à noite — que obviamente foram catalogados como fantasmas — e em algum momento resolvemos subir uma colina que parecia saída de um filme de terror. A Gabi ficou com medo. O carro também, já que simplesmente se recusava a subir as ladeiras direito. No fim, foi uma das melhores viagens que já fiz, e é uma que quero repetir em breve.

Em outubro fomos a São Paulo com o Raphael. Na ida, o carro quebrou e a gente ficou preso em Pindamonhangaba — praticamente perdemos o evento por causa disso. A Gabi é um pocinho de estresse em geral, mas nesses momentos ela tem uma leveza que me surpreende. Não fez drama, não transformou em problema maior do que era. Esperou, entendeu, seguiu. É mais uma coisa que eu admiro nela — sabe distinguir o que vale o estresse do que não vale.

A Serra virou nosso refúgio — Petrópolis, Teresópolis, a coxinha beluga, as besteiras de loja, as risadas à toa. Me imagino morando lá com ela e todos os nossos bichos um dia.

Antes de conhecer a Gabriella eu estava carregando um peso que mal conseguia nomear. Perdi meu pai em 2017. Perdi meu irmão em 2024. São perdas que a gente não aprende a carregar — só aprende a caminhar com elas. Ela apareceu sem saber de nada disso e foi me ajudando sem perceber.

Voltei pra academia. Perdi peso, tô mais saudável, um pouco mais organizado. Acordo com vontade de construir algo. Não porque ela mandou — mas porque ao lado dela eu quero ser melhor. Ela me chama de pobre, de cego, de calvo — com toda a ternura do mundo — e mesmo assim me faz sentir que sou capaz de qualquer coisa. Só ela tem esse dom.

Acredito que fiz minha parte também. Ela fez autoescola, tirou a CNH, passou a viajar diferente, a descobrir lugares que nunca tinha ido. Deixei ela dirigir o Fox pela primeira vez na vida — deu pra ver nos olhos dela que foi especial. Acho que ajudo a controlar um pouco a ansiedade dela também, a se sentir mais leve. E na minha contribuição eu incluo também: comida no prato todo dia, chocolate sempre que posso, e mimos em geral. Alguém tem que compensar a feiura de algum jeito — pelo menos nisso eu me esforço.

Uma coisa que me deixa particularmente feliz é quando ela olha pro céu à noite e fala "Luquinhas, olha um planeta!" com aquele entusiasmo genuíno. Tenho esse vício em astronomia há anos, e ver que ele entrou na vida dela de uma forma boa me faz muito bem. É uma coisa pequena, mas pra mim diz tudo sobre quem ela é.

E falando em presente: ela me deu um telescópio uma vez. Foi o melhor presente que já ganhei na vida. Guardo com muito carinho até hoje — não tô usando tanto quanto deveria, eu sei — mas toda vez que o vejo, fico feliz. Porque foi ela que deu. Porque ela prestou atenção.

No total são 11 bichos entre nós dois — 5 gatos e 6 cachorros. Os meus são: Amora, Esther, Ragnar, Bagdá, Mandela e Mustafá. Os dela são: Lúcifer, Félix, Marcelino, Dandara e a Fro — de Afrodite. É uma família grande e peluda, e nenhum dos dois consegue ficar bravo com eles por muito tempo.

Ela ama os meus bichos como se fossem dela. Quando o Mandela ficou muito doente e quase não resistiu, ela chorou de verdade. Não era obrigação, não era performance — era amor puro. Isso me tocou de um jeito difícil de explicar. Eu cuido dos dela da mesma forma. Qualquer casa que a gente imaginar no futuro já tem pelo no sofá — e a gente não trocaria isso por nada.

Passei por momentos financeiros difíceis, e nesses momentos a Gabriella nunca me cobrou nada. Emprestou cartão, me levou pra sair, nunca fez eu me sentir diminuído por isso. Nunca usou isso como argumento, nunca guardou rancor. Apenas esteve do lado.

Tenho inseguranças que a minha cabeça cria pra me derrubar, e ela ajuda a combater isso sem perceber — só de estar presente, só de continuar escolhendo estar aqui. Numa época eu cheguei a pensar que ela poderia não querer mais ficar comigo se eu ficasse sem carro. Sei que é idiota. Mas a cabeça faz isso. E ela, sem nem saber o que estava acontecendo, me provou errado só sendo quem ela é.

Prometi a ela que um dia vou ficar rico. E quando isso acontecer, vou mostrar um extrato com 100 mil reais na conta só pra ela parar de me chamar de pobre. Pode esperar, Gabi.

Gabi,

Tem coisas que eu poderia tentar explicar por horas e ainda não chegaria perto do que sinto. Mas vou tentar.

Te amo pelo sorriso que aparece do nada e ilumina tudo. Te amo pelas caras fechadas que você me faz — sabe aquela cara? Aquela que qualquer pessoa de fora acharia que você tá brava, mas eu sei que é só você sendo você? Eu amo essa cara. Não sei explicar por quê, mas amo.

Te amo pelo jeito que você conta as fofocas da sua vida, do trabalho, dos colegas — como se eu fosse uma amiga sua de longa data, pedindo minha opinião com toda a seriedade do mundo. Adoro quando você me inclui assim, quando comenta pros outros "ah, o Lucas disse isso" ou "o Lucas acha aquilo." Tem algo muito bonito em ser parte do seu mundo dessa forma.

Te amo pelo dia que pedi você em namoro com aquele jogo. Você riu tão alto que acho que todo mundo na minha Vila escutou. E quando você disse sim, eu fiquei tão feliz que não sabia direito o que fazer com tanta alegria.

Te amo pelas piadas que só nós dois entendemos, pelo Galho Quebrado, pelo troco que você quis me devolver, pelos imãs de cada cidade que a gente visitou, pelo telescópio que você me deu e que eu olho todo dia mesmo sem usar. Te amo porque você me chamou de pobre, de cego e de calvo — e mesmo assim me fez sentir o homem mais sortudo do mundo.

Te amo porque você ouve de verdade. Porque você lembra do que eu falo de passagem e transforma em gesto. Porque você chegou na minha vida num momento difícil e, sem saber de nada, foi me ajudando a levantar. Porque quando você olha pro céu e fala "Luquinhas, olha um planeta!" eu fico feliz de um jeito que é difícil de descrever.

Você é muito forte. Mas mesmo as pessoas mais fortes precisam de cuidado — e enquanto eu existir, você vai ter o meu. Pode contar comigo pra qualquer coisa: pra ouvir, pra opinar, pra guardar segredo, pra rir junto, pra estar do lado quando a coisa apertar. Sou seu confidente, seu parceiro de aventura e, se você me deixar, seu companheiro pra vida.

Um dia ainda vou casar com você. Vamos morar na serra, se Deus quiser, com todos os nossos bichos, uma casa com muito espaço, e a nossa coleção de imãs na geladeira.

Com todo o meu amor, Lucas  ♥

nossas memórias